quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Documento da Semana: Os imigrantes lituanos lutaram contra o fascismo na Espanha.


Por: Dr. Erick Reis Godliauskas Zen
Twitter:@erickrgzen



Embarque dos lituanos na Argentina a caminho das Brigadas na Espanha. 
Porto de Buenos Aires, 21/01/1937. Acervo Pessoal.   


Os imigrantes lituanos lutaram contra o fascismo na Espanha. Em julho de 1936 a Espanha entrou em Guerra Civil, quando o General Franco articulou um golpe de Estado derrubando o governo democraticamente eleito e dando início a uma ditadura. Os Republicanos resistiram e junto com as forças de esquerda como os anarquistas e comunistas passaram a enfrentar o ditador.

De imediato Franco buscou ajuda militar na Alemanha nazista e na Itália fascista então governada por Mussolini, que enviaram tropas voluntárias, assim como forneceram aviões e submarinos reforçando as forças franquistas resultando em tragédias como o bombardeio da cidade de Guernica e Madrid.

Do lado Republicano a ajuda internacional também foi grande. Em diversos países do mundo, notadamente na América Latina, com Argentina e Cuba em papel de destaque, foram mobilizados movimentos antifascistas que prestaram solidariedade aos combatentes republicanos. Desta solidariedade grupos de esquerda se engajaram no conflito como voluntários e se dirigiram a Espanha. Dentre os grupos, o mais importante, sem dúvida, foi organizado pelos comunistas com o apoio da União Soviética e da Internacional Comunista, a IC. Os comunistas formaram em outubro de 1936 as chamadas Brigadas Internacionais que chegaram a contar com 40 mil membros.


Os imigrantes lituanos na América que já participavam de organizações antifascistas, pois consideravam fascista o governo lituano de Antanas Smetona, começaram a difundir a propaganda pela mobilização antifascista primeiro na América do Norte e posteriormente na América do Sul. Essa mobilização reuniu na Argentina vinte e três voluntários lituanos que se dispuseram a combater na Espanha, dois lituanos uruguaios e um brasileiro. Lembrando que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) estava na ilegalidade e a difusão e mobilização de voluntários era bastante difícil, já que muitos lituanos comunistas estavam nos calabouços do regime ditatorial de Getúlio Vargas naqueles anos.
  • Histórias como essa podem ser lidas em: E R G Zen. Identidade em Conflito. Os imigrantes lituanos na Argentina, no Brasil e no Uruguai. São Carlos: Edufscar, 2014.