sábado, 25 de agosto de 2018

O Caminho do Báltico

Caminho do Báltico foi uma das mais belas demonstrações pacíficas de descontentamento e contestação à União Soviética unindo a população dos três países Bálticos: EstôniaLetônia Lituânia. A demonstração reuniu dois milhões de pessoas, ou seja, quase um quarto do total da população das três então Repúblicas Soviéticas e entrou para o Livro dos Records como a mais longa corrente humana ao cobrir um total de 600 Km. O movimento foi um dos pontos centrais no processo político que levou a independência da URSS. 
O dia era 23 de agosto de 1989, a União Soviética passava por uma grave crise econômica, social e ideológica. A crise se fazia sentir em todos os aspectos da vida cotidiana e os sentimentos nacionais, sobretudo no Báltico, começavam a se exaltar e a formar um movimento pela autonomia e posteriormente pela independência da Estônia, Letônia e Lituânia.
A data da manifestação foi escolhida justamente por contestar a anexação dos países Bálticos à União Soviética, pois naquele mesmo dia, no ano de 1939, foi assinado o pacto Ribbentrop-Molotov entre a Alemanha nazistae a União Soviética. O pacto, no que foi tornado público, era de não agressão, mas existia um protocolo secreto que dividia toda a região do Báltico em áreas de influência entre os dois regimes totalitários. 
Durante quase cinquenta anos, a URSS negou a existência do protocolo secreto, mas com a Perestroika, o tema voltou à tona e, em 18 de agosto de 1989, a URSS admitiu a existência dos protocolos soviéticos-nazistas. Esses protocolos provocaram questionamentos ainda maiores sobre a legitimidade da ocupação soviética das três Repúblicas, forçadas a ingressar na URSS em pacto secreto de guerra. Na EstôniaLetôniaLituâniapassou-se a defender abertamente que os três países deveriam ter a sua independência restaurada, com as mesmas fronteiras do período anterior a 1940. 
O Soviete Supremo da Lituânia, órgão maior da administração da República Soviética da Lituânia, acusou a URSS de uma ocupação ilegal e um protesto se seguiu reunindo milhares de pessoas. As bandeiras do período da independência começaram a se espalhar entre os manifestantes, flores e o Caminho do Báltico, nas estradas que contornam o Báltico na fronteira com o restante da URSS começou a se formar uma corrente humana em uma separação simbólica do Báltico da URSS. O Kremlin não havia autorizado a manifestação e existia o medo e o perigo de que houvesse uma forte repressão, no entanto, a polícia não interferiu durante a manifestação.
A ideia de independência já havia ganho o coração e mentes da população do Bálticoe pouco depois ela seria conquistada com o processo de colapso da União Soviética. 

Exposição Caminho do Baltico
Estônia. Foto: Erick Zen, janeiro 2017
Exposição Caminho do Baltico
Estônia. Foto: Erick Zen, janeiro 2017

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